Para que serve o IBGE? Entenda o que o instituto faz






Por Enize Neves Lopes


Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Imagem: IBGE.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) é um órgão público, vinculado ao Ministério da Economia, responsável especialmente por fazer mapeamentos e pesquisas sobre os brasileiros. Ele dispõe de 27 Unidades Estaduais e 568 Agências de Coletas de Dados, localizadas nos principais municípios.

O Censo Demográfico, na teoria realizado de 10 em 10 anos, é uma de suas principais atividades, mas o Instituto também se dedica a outras tarefas.

Bem, você deve estar se perguntando: afinal, para que serve o IBGE?

Calma, a gente te explica! Vamos lá?



Como surgiu o Instituto

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, com este nome que conhecemos, foi fundado por decreto em 1938 a partir do já existente INE – Instituto Nacional de Estatística. Mas podemos dizer que sua atuação vem de muito antes.

No período do Império, havia um órgão chamado “Diretoria Geral de Estatística”, porém, suas funções eram limitadas. Após a proclamação da república, e com a implementação do registro civil de casamentos, nascimentos e falecimentos, percebeu-se uma necessidade de ampliar a atuação do setor.

Na década de 1930, o órgão passou por algumas mudanças até se consolidar enquanto IBGE, possuindo duas divisões: o Conselho Nacional de Geografia e o Conselho Nacional de Estatística.

E assim o IBGE vem, há décadas, fazendo pesquisas sobre vários aspectos da população brasileira, em todo o território nacional. Mas você sabe para quê elas servem?
A finalidade do IBGE

Segundo o próprio site institucional, o IBGE “[…] se constitui no principal provedor de dados e informações do País, que atendem às necessidades dos mais diversos segmentos da sociedade civil, bem como dos órgãos das esferas governamentais federal, estadual e municipal”.

As pesquisas do Instituto são feitas sobre várias temáticas e áreas distintas. Informações acerca do meio ambiente, indústria, comércio, mercado de trabalho, saúde, educação, são alguns dos (muitos) exemplos.

E quem utiliza esses dados? E para quê?

Alguns exemplos:Na esfera pública: são utilizados pelas instituições para elaborar e implementar políticas públicas, e planejar ações para a sociedade.
No setor privado: empresas utilizam as pesquisas do IBGE em suas políticas internas, definindo estratégias de posicionamento de mercado, buscando novos clientes, etc.
Sociedade civil: setores organizados e lideranças da sociedade civil empregam essas informações em seu trabalho, para conhecer a população brasileira e planejar atuações sobre o seu público-alvo.
Estudantes, universidades: a comunidade científica também depende das pesquisas do IBGE na produção de conhecimento, em diversas áreas e níveis.


Veja também nosso vídeo sobre políticas públicas!



Além disso, todos nós, cidadãos, podemos ter acesso aos dados do IBGE, o que é bem interessante para se entender a realidade do país, e/ou de uma região mais específica.



Por que é tão importante falar sobre o desmonte do IBGE

Em 2020, o Censo foi adiado por conta da pandemia de Covid-19. No ano passado, o IBGE sofreu um corte de cerca de 90% do seu orçamento, o que afeta diretamente os trabalhos do recenseamento.

Como isso ocorre? Veja só:

Sem o Censo, outras pesquisas (do próprio IBGE e de outras instituições) que utilizam esses dados também deixam de acontecer. O repasse de recursos federais para estados e municípios pode ser comprometido também, afetando escolas, hospitais e serviços públicos.

Para saber onde precisam ser contratados profissionais de saúde, professores, assistentes sociais; onde é preciso abrir mais vagas em escolas e creches, fazer campanhas de vacinação, os locais onde precisam ser criados postos de trabalho, como traçar todo um planejamento estratégico para as cidades; entre outros, é fundamental dispor das informações que só o Censo produz.



O Censo

A cada dez anos, o IBGE realiza o Censo Demográfico em toda a extensão do território brasileiro. Este trabalho é fundamental para que sejam reunidas as principais informações sobre a população brasileira.

Em um país extremamente diverso, com mais de 200 milhões de habitantes e dimensões continentais, com comunidades vivendo em áreas mais afastadas, e grandes índices de desigualdade socioeconômica, pode-se afirmar que o Censo também é instrumento importante para o bom funcionamento da democracia.


Veja também nosso vídeo sobre desigualdade social!



Com os dados que o Censo reúne, é possível distribuir melhor recursos para educação, saúde, infraestrutura, entre outros; e também direcionar a implementação de políticas públicas, por exemplo.

Por isso, é tão importante que o Censo aconteça pontualmente. A não realização dele pode trazer muitos problemas para as gestões estaduais e municipais, uma vez que os planejamentos governamentais dependem dos dados fornecidos pelo IBGE.

Desta maneira, a sociedade, iniciativas privadas e até órgãos internacionais seriam afetados, uma vez que o Censo é como o retrato do Brasil; com suas necessidades e especificidades. Sem ele, fica muito difícil agir em prol do presente e do futuro do país.
E o Censo 2022?

O Censo 2022 começou a ser realizado no dia 1º de agosto. A expectativa é que sejam visitados 75 milhões de domicílios, e estima-se que sejam contabilizadas cerca de 215 milhões de pessoas. O questionário (que leva pouco tempo para ser respondido) segue recomendações da ONU, e o Censo será o primeiro 100% digital – desde a coleta ao processamento e armazenamento de dados.

Ao todo, somam 452.246 setores censitários (entre urbanos e rurais), 5.972 regiões quilombolas, 632 territórios indígenas, 11.400 aglomerados subnormais e 5.494 agrupamentos indígenas. No site do IBGE, é possível obter mais informações, como por exemplo saber identificar um recenseador.


Bem, agora você já sabe um pouco mais sobre a história e o funcionamento do IBGE! Se gostou do texto, compartilhe!

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