Origem e evolução do conceito de sustentabilidade




Por Christina Pontes

Sustentabilidade e o cuidado com a Terra. Imagem: Freepik.

De onde veio essa tal de sustentabilidade que todo mundo fala?

Sustentabilidade é um assunto muito atual e exaustivamente repetido em tempos de crise climática, não é mesmo? O que poucos sabem é que o seu conceito foi construído por um grande movimento de união internacional, pactos globais e cooperação, visando a busca de um futuro promissor para a humanidade.

Mas quando e onde começou essa conversa? Por que ganhou tanta notoriedade? Essa palavra hoje está associada apenas ao meio ambiente ou também a outros temas?
Como surgiu o termo “Sustentabilidade”

Toda economia é baseada na “administração X escassez” de recursos e como distribuí-los à população de forma organizada. Mas e se a população cresce e devasta numa velocidade muito maior do que a natureza pode se regenerar, o que fazer?

Essa problemática já foi constatada há muito tempo. Inclusive, no primeiro Tratado sobre Silvicultura, escrito por Carl von Carlowitz, por volta dos anos 1700, a necessidade de pensar em uma solução para a rápida degradação ambiental foi levantada com preocupação. Afinal, o estudioso percebeu que a velocidade com que a humanidade cortava árvores era muito maior do que o tempo que levaria para que fossem replantadas e crescessem novamente.

Apesar dessas antigas considerações, apenas em 1972 o assunto foi tratado como uma preocupação global graças à ONU, que convocou representantes de várias nações para discutir a relação do Homem com o Meio Ambiente na Conferência de Estocolmo (Suécia), intitulada de Primeira Conferência Mundial sobre o Homem e o Meio Ambiente.

Imagina só chegar com notícias e dados inconvenientes de que o consumo desenfreado e a exploração ambiental estavam prejudicando a saúde e o equilíbrio sistêmico do planeta! Reduzir a industrialização e a poluição não pareceram ser boas alternativas para muitas nações, principalmente para os países em desenvolvimento.



Apesar de tudo, os dados acerca do secamento de rios, lagos, ilhas de calor, efeito de inversão térmica e outros serviram de alerta mundial. A busca pelo equilíbrio entre o social, ambiental e econômico deram origem ao que posteriormente passou a ser chamado de Desenvolvimento Sustentável.

E essa expressão passou a ser usada quando?

Na década de 1980, o documento mais conhecido e difundido com esse termo foi o Relatório Brundtland (1987), intitulado de Nosso Futuro Comum.

A carta conceitua o Desenvolvimento Sustentável como o “desenvolvimento que atende às necessidades atuais sem comprometer a habilidade das futuras gerações de atender suas próprias necessidades”.


O direito ao maio ambiente equilibrado na lei brasileira

No ano seguinte, a Constituição Federal Brasileira de 1988 reservou uma sessão para a temática e considerou o meio ambiente equilibrado um direito fundamental reconhecido, sendo classificado como de terceira dimensão (ligado ao valor de fraternidade e solidariedade), com caráter intergeracional e coletivo. Portanto, é dever da República Federativa do Brasil zelar pelo meio ambiente equilibrado conforme o artigo 225 e incisos, vamos analisar o caput?


“Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.”

Vale destacar que este é um direito indisponível, ou seja, você não pode abdicar, nem escolher se isso é importante ou não para você, pois envolve muito mais do que só a sua individualidade, mas um coletivo abstrato, de atuais e futuras gerações.

Após esse respaldo legal, o IBAMA – órgão fiscalizador federal – foi fundado no ano seguinte e várias outras normas regulamentadoras, programas de governo e compromissos internacionais surgiram e se mantêm até os dias atuais.
Economia e sustentabilidade são felizes juntas, mas muita gente quer separar

Ninguém falaria de sustentabilidade se não fosse a Economia. Essa frase parece estranha? Talvez no discurso popular seja comum ouvir que a conservação do meio ambiente atrasa o desenvolvimento econômico, mas a verdade é que um conceito está intimamente ligado ao outro.

Alguns pontos em comum dos dois conceitos é que ambos lidam com o problema da gestão de recursos, das decisões humanas, dos imprevistos ambientais e do mercado global.


A sustentabilidade na prática é um comportamento moldável e não fixo, pois busca a melhor solução para situações atuais, emergenciais, futuras, sejam elas concretas ou abstratas. O que norteia as decisões neste âmbito são os princípios, valores, necessidade, adequação, oportunidade e, principalmente, a razoabilidade.

Em síntese, se, para conservar o meio ambiente em determinado aspecto, a solução mais rápida demandar um grande retrocesso social, ela não será interessante.

Mesmo diante de uma situação emergencial, em que seja imprescindível melhorar a economia e o meio ambiente, se a resolução mais efetiva incluir que a sociedade deve parar de consumir um bem essencial à sobrevivência, isso não será cogitado antes de acionar várias outras medidas que podem até envolver tecnologias complexas a serem desenvolvidas em prazos curtos.

Logo, qualquer decisão pautada na sustentabilidade tem que atender satisfatoriamente os seus três pilares: ambiental, econômico e social.


O conceito de sustentabilidade não se limita a questões ambientais

Apesar do emprego exagerado da palavra para temas atrelados ao meio ambiente, o termo ‘sustentabilidade’, segundo o dicionário online Priberam, possui duas conceituações:Qualidade ou condição do que é sustentável.
Modelo de sistema que tem condições para se manter ou conservar.


Não há nada demais e até é correto relacionar o termo ao ambiente, afinal ele está sempre na equação, mas não se restringe aos recursos e sim à forma como podem ser utilizados. Na economia e na sociologia a palavra é constantemente falada no sentido de duração e continuidade de políticas e métodos, por exemplo.
Os três pilares da sustentabilidade

A sustentabilidade enquanto solução para as mudanças climáticas defendida no Relatório de Brundtland possui três dimensões, que juntos compõem um macroconceito sistemático.A sustentabilidade ambiental engloba a preservação/conservação do meio ambiente de maneira que a sociedade encontre o equilíbrio entre o suprimento de suas necessidades e o uso racional dos recursos naturais, sem prejudicar a natureza.
A sustentabilidade social, por sua vez, está atrelada à participação ativa da população no desenvolvimento social por meio da elaboração de propostas que visem o bem-estar e a isonomia de todos em consonância com a preservação do meio ambiente.
Já a sustentabilidade econômica refere-se ao modelo de desenvolvimento econômico que visa a exploração e disposição dos recursos naturais, sem prejudicar o suprimento das necessidades das gerações futuras.


Claro que em situações distintas como dentro de uma empresa, na gestão pública ou na engenharia, esses três pilares serão vistos sob a ótica de cada campo de pesquisa.

Com a evolução do estudo e sucessivas tentativas de implementação, algumas bem sucedidas, outras não, interseções nas dimensões da sustentabilidade foram descobertas e exploradas em distintos ramos de estudo, como no de energias:
Sobreposição das dimensões da Sustentabilidade. Fonte: Adaptado do Manual de Boas Práticas para Eficiência Energética (2005). Imagem: DICKIE, I. B. Gestão de Design Aplicada: Estratégias de comunicação no contexto do desenvolvimento sustentável. Dissertação de Mestrado do Departamento de Design e Expressão Gráfica da Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC, 2010.

A sustentabilidade e o futuro do homem na Terra

Bem, depois de algumas décadas do alerta, é natural querer entender como a comunidade internacional vê a crise climática e o meio ambiente hoje em dia.

Para quem não acompanha muito o assunto, é importante dizer que a situação do meio ambiente não anda tão animadora. Os problemas persistem, mas estão sendo controlados numa velocidade menor do que a pretendida.

Metas estipuladas em convenções globais não conseguiram ser cumpridas, porém algumas conquistas marcantes foram alcançadas, como a redução do buraco da camada de ozônio em 2019, atingindo o menor nível desde 1982, conforme dados da Nasa.

Além disso, os 193 Estados-Membros da Organização das Nações Unidas comprometeram-se a adotar a Agenda Pós-2015, considerada uma das mais ambiciosas da história da diplomacia internacional. A partir dela as nações trabalharão para cumprir 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) com metas nada fáceis para 2030, a exemplo da erradicação da pobreza.


O ponto mais promissor é que tanto no desenvolvimento tecnológico quanto no próprio mercado, a sustentabilidade passou a ser uma preocupação constante e um atributo de valor. Isso, por si só, reflete uma mudança de cultura e uma ampliação no senso de coletividade.

Tal evolução de comportamento pode ser a chave para intervir nas mudanças climáticas, repensar o manejo de recursos e evitar diversas catástrofes naturais que surgem a partir de um desequilíbrio ocasionado pela degradação ambiental. Só assim será possível pensar em um futuro na Terra digno para seres humanos habitarem e coexistirem em harmonia.


E aí, você conseguiu compreender melhor o conceito de sustentabilidade? Conta nos comentários!

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